Poucos dias após ter dado a minha opinião sobre acontecimentos desportivos graves, e, quando pensava que o próximo tema seria sobre “o cérebro humano e a sua relação com uma ervilha”, eis que surge, de novo, o desporto no centro da polémica.
Acontecimento: Num jogo de cobertura
mundial, após um golo obtido pela equipa visitante, numa troca de provocações e
insultos, supostamente um dos jogadores da casa tem uma ação racista e
insultuosa para com um dos jogadores da equipa visitante. Gravíssimo! A
comprovar-se tal situação, o jogador em causa deveria ser severamente
castigado. Esta situação em particular faz-me recordar a minha infância. Sim,
há 40 anos lembro-me de ir ao estádio várias vezes, não havia muitos jogadores
africanos nos jogos desses tempos. Não havia descendentes africanos na bancada
do meu clube. Então, quando o jogo estava a correr mal, lá se ouvia o grito de
algum “iluminado” de peito feito – Seu macaco, vai para a tua terra! Ou então –
Hu hu hu hu hu! (como que a imitar o som de um macaco ou gorila). Sinceramente,
já enquanto criança achava aquilo um pouco triste. Mas por que raio se deveria chamar
aquilo ao jogador da outra equipa? Como é que ele se estaria a sentir? O que é
que isso iria beneficiar a minha equipa. A certa altura, cheguei à conclusão de
que aquilo seria porque, como se estava a ver um jogo de futebol, era permitido,
era assim, porque na rua, quando as pessoas passavam por alguém de origem
africana, não chamavam nada. Passei a gostar um pouco menos de futebol (e o
futebol sem culpa). Ainda mais estranho, certa ocasião, alguns adeptos do meu
clube (um clube pequeno, entre os grandes), voltaram a fazer esse tipo de
insultos racistas a atletas de outros clubes, havendo na nossa equipa atletas
com as mesmas características físicas (!). O que é isto? Significa que também
detestam os nossos jogadores. Como se sentiriam os nossos jogadores também?
Estariam motivados para jogar e eventualmente errar? O que iria acontecer a
seguir?
Bem, o jogo sobre o qual iniciei
esta opinião, teve também casos, tão ou mais graves do que o já referido, e que
tem tido o destaque da comunicação social de todo o mundo. A primeira situação
foi uma agressão brutal, com o punho, durante o jogo, de um dos jogadores da
equipa visitante. Fiquei chocado com aquele comportamento, por ter sido o
capitão de equipa, por ter sido sem razão aparente, por ter sido enquanto o
árbitro estava a olhar para a zona da bola! Uma agressão não faz parte do jogo,
não desta modalidade.
O outro caso chocante ocorrido
durante o jogo, diz respeito à situação já referida de racismo. Estão
disponíveis várias imagens, onde se vê adeptos da equipa da casa a imitar
macacos física e vocalmente! Sim, 40 anos depois, num mundo cheio de
tecnologia, conhecimento, “evolução”, os valores andam perdidos. Bem, no meio
dos adeptos que tinham tal comportamento, foram vistas crianças. Sim, crianças
a ter comportamentos racistas. Quem tem crianças, interage com crianças, educa
crianças, sabe que muitos dos seus comportamentos iniciais são por imitação das
referências. As crianças não podem ser julgadas por tais comportamentos, podem
até nem reconhecer a gravidade do que estão a fazer. O que têm a dizer os
adultos que as acompanham, sobre o tipo de educação que lhes dão? Que adultos
serão elas no futuro? O que é certo, é que no dia de hoje, foi indicada a
notícia de que o clube está a realizar um inquérito para verificar quem teve
tais comportamentos, a fim de tomar medidas sancionatórias. Parabéns!
