Vem a propósito esta opinião, devido aos recentes acontecimentos “desportivos” decorridos, antes e durante um jogo, entre dois dos mais importantes clubes de um país, cuja seleção é uma das mais habilidosas e respeitadas do futebol, Portugal. Foi neste país que o caso se passou, mas podia ter sido em muitos outros, onde o desporto é usado como desculpa para nos transformarmos em monstros.
O caso foi, à semelhança do
decorrido circunstancialmente em vários estádios, que a equipa da casa se
encontrava a ganhar, perto do final do jogo, surgindo então, uma “ordem” dos
responsáveis do clube, para que as bolas, que deveriam estar disponíveis junto
às linhas, conforme as regras do campeonato, desaparecessem, para desta forma
atrasar a reposição de bola da equipa em desvantagem. Nesse momento, os
responsáveis por colocar as bolas juntos às linhas (normalmente crianças ou
adolescentes), receberam também a indicação para roubar (sim, roubar) a toalha
onde o guarda-redes em desvantagem limpa as luvas (uma vez que estava a chover
e assim haveria mais probabilidade de cometer um erro)! Aconteceu recentemente
o mesmo num jogo entre países, é verdade. Foi um escândalo condenável, ninguém
negou!
Agora imaginem uma corrida, no
momento da partida, uma criança aproxima-se de um dos atletas (a mando de
outro) desaperta os atacadores para que esse atleta não consiga correr da
melhor forma.
Qual o sentimento desta criança
no final? “Parabéns a mim, sou mesmo esperto, consegui que o meu amigo
ganhasse. Foi só um puxãozinho, ninguém quer saber!”
Quais as palavras dos seus
pais? “Parabéns, meu filho, foi uma grande atitude! Estás a preparar-te para a
vida. Assim, vais certamente ter um grande futuro!”
E o que dizer dos comentários dos
responsáveis do clube, depois de tal comportamento? “Eles também fazem, nhã, nhã,
nhã, nhã, nhã …” Bem, sinceramente isto parece
tudo do séc XIX, mas não, estamos mesmo no séc. XXI.
Uns, dizem que a culpa é do
desporto, outros, que é dos jogadores, outros, que é e alguns dos clubes. Na
verdade, parece-me uma bola de neve onde todos (quem quer) são arrastados para
ela, deixando-se levar, até encontrarem o mais primitivo de si.
Vamos pensar! O que é gostar de
um clube desportivo ou de um atleta individual? Na prática, deveria ser “querer
que ele ganhe, que tenha boa performance, que se superiorize a outros, segundo
as regras do jogo”. Se não for segundo as regras, então não se chama desporto,
chama-se GUERRA. Mas então onde entra a parte de detestar o outro atleta, criar
distrações para que não tenha bom desempenho, insultá-lo, atirar-lhe objetos,
etc. Isso faz parte do desporto? Repare-se que, após o golo do empate da equipa
em desvantagem, veio a público a reação de uma criança (menor de 10 anos), que
insultou mais de meia dúzia de vezes, aos gritos, o jogador que marcou esse
golo, com: “filho da pu**, filho da pu**, és um filho da pu**”! Podem já dizer,
o desporto é assim, nos estádios isto é normal, não queiram ser todos anjinhos!
Desculpem, não é normal. Este comportamento existe, porque existe nas pessoas à
sua volta, manifestou-se no futebol, vai manifestar-se na escola, na fila do
cinema, no desporto que ele praticar, etc, etc.
Resumindo, gostas do teu clube, gostas de desporto ou gostas
de ambos? Se gostas de desporto não vais querer ganhar por meios duvidosos
contra as regras, acredita, não vai saber a nada.
Para quem anda distraído, tenha a perceção que muita gente que está envolvida no desporto, assiste ao desporto, participa no desporto, na realidade, não quer saber do Desporto. Usa-o como uma forma de se superiorizar a alguém (que muitas vezes nem conhece) por via do incentivo ao ódio camuflado. Detestar muito o meu adversário e mostrá-lo, não quer necessariamente dizer que gosto muito do meu clube e que sou o melhor adepto ou dirigente!
Sinta a emoção do Desporto, respeitando os outros!
